sexta-feira, 6 de maio de 2011

Minha vida em meu Amor...

Ontem olhava as tantas fotografias que tenho em meu computador. Quase não havia fotos minhas, não por não estar lá, estava escondida pela lente. Se pudesse tirar uma estatística do que é fundamental para mim, apenas pela repetição das pessoas fotografadas, diria que 99% correspondem ao meu filho, o Vini. Relembrei fotos e vídeos dele recém-nascido, ainda encolhido, com os olhos cerrados. Uma vida tão indefesa, desprotegida, tão minha. Um rosto desconhecido que eu amava desde a concepção. Pelo qual eu chorei quando ele quase partiu sem nem ao menos ter nascido, e que me comprometi a defender até a morte. Ensinei-lhe a cada momento tudo o que podia, ele sem querer me fez aprender tantas coisas. É uma delícia o ver crescendo, sem se intimidar com o que desconhece.

Os primeiros balbucios, as tentativas de se sustentar sentado, as longas corridas de três passos. A cada sorriso eu me fiz mais inteira, compreendi melhor o valor da felicidade e a importância de lutar por ela a cada segundo. Sem grandes elucubrações ou sonhos, apenas vendo um sorriso de gengiva, sentindo um beijo babado, aproveitando um abraço nas pernas. Não sabia quão maravilhoso poderia ser sentar na grama para comer pitangas, tomar banho de mangueira, fazer piquenique com um pacote de guloseimas ou passar a tarde brincando de cabana com os cobertores. Provavelmente continuaria sem saber não fosse essa nova vida, com objetivos tão justos, ainda sem os medos que cultivamos no decorrer da jornada.

Tenho saudade de acolhê-lo no colo, agora não há mais quem segure o meu “Bolachinha”. Fico feliz por isso, percebo que ele está crescendo e se tornando uma pessoa maravilhosa. Melhor do que eu, com toda a certeza. Talvez seja esta a intenção de gerarmos nossas crias: tornarmos-nos melhor no outro. Não satisfazendo nossas cobiças irrealizadas, mas tendo a consciência de ter feito brotar o que de melhor poderíamos cultivar. E digo que são crias sim, pois apenas que tem este sentimento de amor materno ou paterno, sabe como nos tornamos instintivos no menor levante de ameaça.

Ele será sempre meu Bolachinha, Pantufa, Buchechudo, o meu Príncipe (está bem, sei que não poderei dizer isso por muito tempo sem matá-lo de vergonha). Ele construíra o próprio caminho e eu estarei lá para estender a mão quando cair. Não posso tirar os obstáculos do caminho, mas devo dizer que ele não está só. Por enquanto, permanece bem protegido, como ele mesmo diz: O Vini mora no coração da mamãe.

terça-feira, 3 de maio de 2011

É preciso prosseguir...

Tenho parado para perceber o valor das coisas. Não como um todo, mas o valor que tem para mim. O que de fato me desperta um sorriso, o que alegra minha alma. Conversei há um tempo sobre meus dias plenamente felizes. Eram daqueles dias que enchem o espírito. Que parece tudo ser sol. A respiração chegava a ficar ofegante tamanha energia que parece transbordar do peito. Era uma época diferente, eu era uma pessoa diferente. Não melhor, nem o contrário, apenas diferente. Agora, passado alguns anos posso olhar com tranqüilidade tudo o que fiz e dizer que alcancei tudo o que cobiçava. Mas perdi o que mais tenho saudade, a alegria pura e pulsante. Restou-me um contentamento sem euforia. Por favor, não entendam este post como uma declaração de infelicidade, e sim como a reflexão, de uma pessoa feliz, sobre os dias que passou. Explico-me melhor do seguinte modo: Sou feliz, mas tenho estado descontente. Porém, o que me importa é olhar em frente, ver o que do futuro ainda me falta. Tenho uma profissão que amo, um filho extraodinário e um marido tão fora de série que merecia outra denominação (algo como “super extra plus esposo”, ou uma menos batida). Talvez por ser a filha mais nova sempre hesitei em buscar o queria, o que me motivava. Buscava sempre aprovação. Estou há quase quatro anos casada, o Felipe, meu digníssimo, sempre me impulsionou a lutar pelo que almejo. Foi assim quando engravidei e pelas orelhas ele fez com que eu continuasse a estudar. Essa atitude dele, e de amigos que confiam em mim, me fizeram acreditar que posso caminhar com minhas pernas, saltar barreiras pelas quais os demais desistem e traçar um caminho meu. Não me conformo mais com o que não me convém. Confesso sempre ter tido facilidade nas minhas conquistas, o que acho excelente, mas talvez tenha ficado mal acostumada. Se cobiço vitórias maiores terei de iniciar batalhas da mesma proporção, fugir do comodismo. O que não permitirei é que digam que não posso. Que não tenho capacidade ou que algo não é para mim. Se eu quiser posso, mesmo que seja para depois constatar que me era indiferente. Eu direi que aquilo não me cabia, não os outros. Desde pequena sou teimosa. Ainda lembro das minhas vontades de pequena, das brincadeiras no quintal e da certeza de que não deixaria a vida me vencer. E não vencerá. Hoje é o dia que inicio uma jornada pelo que sonhei desde criança.