Ontem olhava as tantas fotografias que tenho em meu computador. Quase não havia fotos minhas, não por não estar lá, estava escondida pela lente. Se pudesse tirar uma estatística do que é fundamental para mim, apenas pela repetição das pessoas fotografadas, diria que 99% correspondem ao meu filho, o Vini. Relembrei fotos e vídeos dele recém-nascido, ainda encolhido, com os olhos cerrados. Uma vida tão indefesa, desprotegida, tão minha. Um rosto desconhecido que eu amava desde a concepção. Pelo qual eu chorei quando ele quase partiu sem nem ao menos ter nascido, e que me comprometi a defender até a morte. Ensinei-lhe a cada momento tudo o que podia, ele sem querer me fez aprender tantas coisas. É uma delícia o ver crescendo, sem se intimidar com o que desconhece.
Os primeiros balbucios, as tentativas de se sustentar sentado, as longas corridas de três passos. A cada sorriso eu me fiz mais inteira, compreendi melhor o valor da felicidade e a importância de lutar por ela a cada segundo. Sem grandes elucubrações ou sonhos, apenas vendo um sorriso de gengiva, sentindo um beijo babado, aproveitando um abraço nas pernas. Não sabia quão maravilhoso poderia ser sentar na grama para comer pitangas, tomar banho de mangueira, fazer piquenique com um pacote de guloseimas ou passar a tarde brincando de cabana com os cobertores. Provavelmente continuaria sem saber não fosse essa nova vida, com objetivos tão justos, ainda sem os medos que cultivamos no decorrer da jornada.
Tenho saudade de acolhê-lo no colo, agora não há mais quem segure o meu “Bolachinha”. Fico feliz por isso, percebo que ele está crescendo e se tornando uma pessoa maravilhosa. Melhor do que eu, com toda a certeza. Talvez seja esta a intenção de gerarmos nossas crias: tornarmos-nos melhor no outro. Não satisfazendo nossas cobiças irrealizadas, mas tendo a consciência de ter feito brotar o que de melhor poderíamos cultivar. E digo que são crias sim, pois apenas que tem este sentimento de amor materno ou paterno, sabe como nos tornamos instintivos no menor levante de ameaça.
Ele será sempre meu Bolachinha, Pantufa, Buchechudo, o meu Príncipe (está bem, sei que não poderei dizer isso por muito tempo sem matá-lo de vergonha). Ele construíra o próprio caminho e eu estarei lá para estender a mão quando cair. Não posso tirar os obstáculos do caminho, mas devo dizer que ele não está só. Por enquanto, permanece bem protegido, como ele mesmo diz: O Vini mora no coração da mamãe.